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Saindo de lá e aproveitando a noite e o frio de 5ºC, paramos no Louvre para vê-lo iluminado. Algumas fotos no álbum de novembro... E ei-lo: o mês derradeiro, dezembro, fechando as portas de 2008.
Chegamos de viagem. Não, não vou postar nada sobre nossa estada em Itália por enquanto. Antes, é preciso carregar as quase 500 fotos, o que vai me consumir certo tempo. Roupa suja a ser lavada, trabalhos atrasados e pendentes, volta ao lar e à realidade. Enquanto isso, para dar notícias e também recebê-las, uma postagem para dizer que estamos de volta à ativa e mostrar a linda foto dos filhos do Haku...
Conhecer a Itália é um privilégio (não de poucos, claro, já que é um dos lugares mais visitados pelos brasileiros). Retornar à Itália, então, é um grande privilégio: amanhã cedo, eu e Alexandre partimos para Roma (alguns me dirão: de novo, Roma?!). Volto para lá não só porque gostei muito da cidade, mas porque acho que é um lugar fundamental para conhecer e quero que Alexandre a visite. De lá, pegamos um trem para Florença e, depois, vamos para Veneza. A viagem está sendo programada há muito tempo, com direito a busca infinitas de hospedagem, passagens, lugares a serem visitados, cálculos de quanto podemos gastar e de quanto efetivamente teremos de gastar. Afinal, a Itália não é o lugar mais barato a ser visitado. Diria, até, que está entre um dos mais caros: hospedar-se em Roma é sempre uma aventura pela qual se paga caro. Museus por lá custam uma pequena fortuna (estou acostumada a não pagar os museus aqui em Paris). Andar de gôndola em Veneza? Só para quem se dispõe a pagar 80 euros o passeio... enfim, coisas que ficam apenas no imaginário popular, pois é praticamente impossível ver e fazer tudo neste país extremamente artístico e turístico. Em tempo: hoje é dia de trabalho acelerado para nos darmos o direito de uma semana de férias. O blog ficará parado até a próxima semana, quando retornaremos com muitas fotos e histórias - espero. Data prevista para o nosso retorno a Paris: 26 de novembro.
Eis o vídeo do final da missa na Notre Dame. Outro dia não consegui postá-lo, então tento hoje novamente:
Para brasileiros que sentem saudades das comidas brasileiras, há uma loja em Paris que se chama Coisas do Brasil. Hoje fomos lá para comprar pão de queijo e, antes de sair, começamos a conversar com a moça que estava atendendo... brasileira, casada com francês, mora há dois anos em Paris e faz mestrado em... literatura! Vem de onde? São Paulo! Ela perguntou como eu me sentia aqui em Paris e eu e Alexandre começamos a falar algumas coisas da nossa vida daqui. Eis que uma senhora, que estava fazendo suas comprinhas, deu seu depoimento: é faxineira em Paris, mora aqui há 4 anos, chegou sem falar uma palavra do francês, sente muita saudade do Brasil e da família dela (são em 10 irmãos). Hoje ela estuda francês, tem um namorado aqui e participa do coral da Sorbonne. Sai a senhora e continuamos nossa conversa, agora sobre a relação na universidade. Chega uma moça, que fica quieta por muito tempo enquanto conversávamos. Mas eis que eu falei que tinha sobretudo amigos brasileiros por aqui. Depoimento da moça: "Eu me afastei dos brasileiros. Uma vez eu fui numa festa de brasileiros, deu um barraco e a polícia apareceu por lá! Ainda bem que eu estava legalizada. Depois disso, nunca mais quis ter contato com os brasileiros". Coisas do Brasil. Ou seriam da França?
Com ingressos comprados há muito tempo (que é como as coisas mais ou menos funcionam por aqui), hoje foi dia de teatro, na Comédie Française, para ver O casamento de Fígaro, de Beaumarchais. A representação era irregular, com seus altos e baixos, que apelou aos trejeitos de riso fácil - de modo que muitas vezes a cena ficava até, digamos, carregada. Por vezes, bastante cansativa. O texto nem impedia tanto a compreensão da peça, mas o que realmente a limitou foi o modo como optaram para dar vida ao texto dramático.
Le déjeuner sur l'herbe, quadro acima, de Edouard Manet, foi uma das obsessões de Picasso nos idos dos anos 60. Obsessão suficiente para render obras que permitiram ao Musée d'Orsay organizar uma exposição, do mestre cubista, com várias leituras e reformulações da cena retratada acima. O quadro original, pintado um século antes, foi motivo de polêmica na exposição em que foi apresentado; mas Manet era considerado, por Picasso, como um gênio modernista avant la lettre e, por isso, a insistência em redescobrir sua pintura. Abaixo, um exemplo de Le déjeuner sur l'herbe d'après Manet, de Pablo Picasso: