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sábado, 28 de abril de 2012

Lembranças

Puxa, hoje bateu uma vontade de voltar... Neste momento, restam apenas as fotos para relembrar:

Em um parque em frente ao Musée Marmottan Monet - Paris

Prédio bonito em frente à Gendarmenmarkt - Berlim

Da janela da Frauenkirche - Dresden


Berliner Dom entre as árvores - Berlim


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O jantar no Beaubourg

Como disse, logo no primeiro dia saímos para jantar perto do Beaubourg (como também é chamado o Centre Georges Pompidou -- e é o nome do bairro). Quase nunca saía para jantar fora em Paris quando fiquei lá. Mas sempre que saí comi muito bem. Dessa vez foi diferente, muito diferente de qualquer jantar. Comi, comemos, muito bem. Estávamos ali com Elis, assídua frequentadora daquele pequeno restaurante na Passage Molière. Para começar, o proprietário veio nos oferecer o vinho. Como não sabíamos ao certo o que escolher, ele colocou sobre a mesa três garrafas de vinhos de diferentes regiões, aromas e sabores. Provamos todos e a escolha foi unânime: um Rioja, Navajas, espanhol. Diria que era um vinho fantástico, que casou perfeitamente com a deliciosa comida servida. Para matar a saudade, pedi um prato com pato. E, como que para brindar aquele momento, pela janela podíamos ver os primeiros flocos de neve caindo. Era como se a cidade me dissesse, então, que ela me recebia de braços abertos, com o melhor que podia oferecer para mim. Foi, assim, um reencontro memorável. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

E por falar em saudade...


Fora as histórias bizarras, estressantes e engraçadas pelas quais passamos nesses quinze dias, há muito o que ser comentado. Não apenas o fato de rever Paris e sentir novas impressões da cidade, mas conhecer um país novo, hábitos e muitas curiosidades sobre ele. Culinária, paisagens, passeios... A Alemanha me surpreendeu para o bem, rompeu com alguns preconceitos bobos e me ofereceu uma acolhida surpreendente. Por ter vivido em Joinville, terra de cultura alemã, eu fui para lá com algumas ideias fixas, sobretudo em relação ao povo. Eis que o contato -- embora rápido e sob a perspectiva do turista -- eliminou algumas dessas ideias. Visitar a Alemanha significa entrar em contato com um país que sofreu a destruição de duas guerras mundias e uma guerra fria, mas que passou por cima de todas as dificuldades, se reconstruiu e hoje é uma das grandes economias do mundo. Eles têm do que se orgulhar. Resquícios do nazismo foram apagados. Hoje vemos monumentos construídos para lembrar o holocausto, apontar as monstruosidades e dizer que o país não é aquilo ali. 

Por outro lado, a Alemanha é um país de belezas naturais estonteantes, embora pouco conhecidas. Conseguimos ver pouco, sobretudo pelas dimensões do país somadas ao pouco tempo de que dispúnhamos. Mas deu para perceber que não é pouca coisa. O frio foi generoso conosco... chegamos em Berlim com um frio congelante, que eu calculo em torno dos -15ºC. Na medida em que íamos passando pelas cidades, a neve ia aumentando cada vez mais, e atingiu seu auge na Floresta Negra, no pico de Feldberg. Depois, retornamos a Paris e saímos de lá com uma temperatura agradável de 10ºC. Como dá para perceber, há muito o que ser contado...

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A história do voo para Berlim


Depois de anos, comprar novamente passagens da EasyJet faz relembrar as pendengas e os apertos de viagens pela Europa naquele ano 2008/2009. A empresa trabalha com a política de voos muito baratos para vários destinos, o que é muito bom para economizar. Mas se você perder o voo ou quiser algum conforto a mais, o preço vai lá nas alturas. A economia é: carregar apenas bagagem de mão, se debater entre todos os passageiros para conseguir lugar bom no avião e não ganhar nem uma barrinha de cereal durante o voo.

Como a passagem de avião era muito mais barata do que de trem, comprei Paris - Berlim. E o despacho de uma bagagem. Dia da viagem: 06 de fevereiro, final da tarde. Estávamos no centro de Paris e nos atrasamos durante o almoço... era para sairmos da casa da Elis às 15h, mas saímos apenas às 15h30. Como o voo saía de Orly-Sud, teríamos que atravessar a cidade (de metrô e ônibus) para chegar no aeroporto e passar por todos os procedimentos de embarque. Somente pouco antes de sairmos, percebi que o voo estava marcado para 20 minutos antes do que eu imaginava. Ou seja, estávamos muito atrasados. 

Correria pelos metrôs: sobe escada, desce escada, pega o metrô, faz baldeação. Chegamos, exaustos, em Denfert-Rochereau para pegar o OrlyBus. O ônibus estava lá, saindo... corremos pela praça e conseguimos pegar o ônibus. Isso tudo com uma mala de 20 kg na mão. Chegamos no aeroporto exatamente às 16h30 (o voo saía às 17h10). Corri para o monitor e vi que o embarque estava acontecendo! Nova correria até o check-in. Fila. Falo com um funcionário: "Madame, seu check-in fechou há 4 minutos". E agora? "Corre ali no guichê 90". Não quis saber se havia alguém na fila, falo direto com o funcionário, que fica desesperado e, às pressas, despacha a nossa bagagem. Aviso: embarque imediato no primeiro andar. 

Bagagem despachada, basta entrar, certo? Errado. No primeiro andar, para passar pelos procedimentos de segurança, uma fila de perder o fôlego. "Se perdermos o voo, pelo menos a bagagem vai"... e adivinha quem disse isso? Vou lá na frente na fila e falo com a funcionária, explico que o embarque do meu voo estava acontecendo, que eu estava atrasada etc. Ela pensa dois segundos e diz: "Ok, pode passar". Ufa! Passamos por aquela fila e... encontramos outra. Agora não há nada o que fazer, apenas esperar. 10 minutos sagrados ali. E passamos pelo detector de metais: tira casaco, computador, bota, documentos. Agora, recoloca tudo no lugar. Saí correndo e olhei novamente no monitor. Embarque encerrado. P*** que te parió, pensei. Saio, novamente, correndo pelo aeroporto e, finalmente, encontro o portão de embarque. Os últimos, exaustos. Só disse: Désolée, sei que estou realmente muito atrasada... a funcionária fez uma cara e passamos. Quando entrei no avião, sequer conseguia acreditar que estava ali. 

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Rever Paris


Quando embarquei para Paris dessa vez, levava comigo a expectativa de como seria rever a cidade, com que olhar a veria dessa vez. Seria o de turista? Paris é sempre marcante, para o bem e para o mal.

Logo que chegamos fomos obrigados a passar por duas das estações mais temidas: Denfert-Rochereau e Châtelet-Les Halles. Quem já passou por lá sabe do que estou falando: escadas e labirintos para todos os lados. A aventura maior foi mesmo em Châtelet, como sempre: duas esteiras enormes, várias escadas, catraca e o pico das 17h parisiense. Depois de 1h30 desde que descemos do avião, conseguimos chegar ao ponto onde encontraríamos com Elis, sob uma temperatura de -3ºC. 

A despeito dessa chegada tumultuada, que não afastou meu bom humor em nenhum momento (afinal, estava em Paris), mais tarde fomos ao centro para jantar. Depois falo com calma desse jantar, pra lá de especial. Ao sair da estação, virar à direita e me deparar com o Pompidou ali bem na minha frente, enorme e estranho, veio a sensação de que eu ainda não havia saído de Paris. Era como se os três anos que separaram minha partida e meu retorno à cidade não tivessem surtido efeito nenhum. Paris estava ali, viva, como estava na minha memória.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Paris - Alemanha

Chegamos. Depois de 15 dias líquidos de viagem, estamos novamente em casa. São muitas as histórias (engraçadas, estressantes, bizarras etc.) que pretendo contar. Em breve. Por enquanto, algumas fotos aqui.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Allons-y


Revê-la. Embarcamos amanhã e voltaremos dali a 17 dias.
Vamos?

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Previsão do tempo


Alexandre já está se preparando para o frio que encontraremos na Europa. Recebemos notícias de que o inverno estava ameno, menos frio do que em anos passados. Mas segundo a previsão do tempo, no site Météo France, a neve deu o ar da graça e o frio, para esta semana, vai chegar na casa dos -4ºC. A Alemanha é um pouco mais frio do que isso. Em Dresden, por exemplo, está previsto mínima de -17ºC...

sábado, 10 de dezembro de 2011

Três anos depois...

No dia 13 de fevereiro de 2009 eu embarquei num avião no Aeroporto Charles De Gaulle de volta ao Brasil. Pois agora está na hora de voltar pra lá. Em fevereiro, iremos para Paris, mas talvez a viagem seja estendida até a Alemanha (ainda não fechamos o roteiro). Surgiu, de repente, uma ansiedade curiosa: como será que vou rever Paris, qual será o meu olhar para esta cidade em que passei por momentos tão intensos? 

*

Vamos para lá no inverno. Preferia ir no outono, já que sempre comentei aqui que é a estação do ano de que mais gosto nas terras de além-mar. Agora no inverno, os dias são curtos, o ar gelado e andar encasacado não é a coisa mais agradável do mundo. Mas se não fôssemos em fevereiro, não conseguiríamos voltar pra lá tão cedo, já que 2012 começará com intensas atividades. Nada mal... ;-)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Paris há 100 anos

Quai da Île Saint-Louis - Foto de Eugène Atget

Quem conhece a Paris de hoje sabe que ela foi toda reformulada pelo Barão Haussmann, à época prefeito de Paris, no século XIX. Esse processo de reforma e embelezamento da cidade - que incluía um rigoroso plano arquitetônico militar - foi registrado no final do século por um fotógrafo que buscava imagens de uma cidade vazia e enevoada. Eugène Atget registrou uma outra Paris, muito diferente daquela da Torre Eiffel e dos grandes boulevares. Abaixo, o Parc St-Cloud pela lente de Atget e hoje.

Imagem retirada de www.uol.com.br

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Paris vista do céu

Paris vu du Ciel - filme de Yann Arthurs-Bretrand


Vendo as imagens acima, parece que Paris ficou em algum sonho distante, em que reconhecemos os lugares, mas tudo que ficou na memória está confuso, como que envolto em névoa. Estranho.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Paris sous la neige

Na página do Le Monde de hoje há uma apresentação de fotos de Paris com neve. Para aguçar a vontade e voltar à sessão nostalgia do blog:

Cité Universitaire - Janeiro de 2009

O mês de dezembro do ano passado foi bem frio, mas não chegou a nevar. O fenômeno só aconteceu em janeiro deste ano, em um espetáculo pra ninguém botar defeito. Gysa ainda está lá e foi ela quem me avisou que Paris está sous la neige.

domingo, 25 de outubro de 2009

120 anos de Torre

A Torre Eiffel está comemorando 120 anos. Como festejo, foi preparado um show de luzes na beldade francesa mais famosa: são 12 minutos de apresentação, um minuto para cada década de existência. Abaixo, o vídeo da BBC com uma parte do espetáculo:

sexta-feira, 19 de junho de 2009

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

À la fin

E eis a derradeira postagem, com o meu último dia desta temporada em Paris. Só como um agrado, a capital francesa me reservou uma última neve. Foram exatas 287 postagens neste blog, que com meu retorno ao Brasil não fará mais sentido. As fotos ficarão aí, no entanto, para a manutenção da saudade. Na contabilidade expressa, foram cerca de 11 viagens pelas terras européias (mas, creiam os incrédulos, eu não vim fazer turismo); dias a fio na Biblioteca Nationale de France; mais de 50 livros, entre os fichados e lidos; incontáveis fotos da Torre Eiffel, dos prédios parisienses, do Sena, da Notre Dame e outros lugares que me agradam muito. Vou sentir falta de Saint-Michel e do sorvete Amorino. Aprendi a andar de metrô pelo emaranhado de Paris e região; visitei algumas regiões periféricas, entre elas Saint-Denis e La Défense; fiz um curso de francês equivalente ao que já tinha feito na Aliança Francesa e conheci alguns franceses (e outras pessoas de outras nacionalidades) muito bacanas. Foi, enfim, um ano muito intenso, repleto de surpresas e desassossegos de uma vida provisória. Volto para os meus, para os afazeres e compromissos em terras tropicais. Antes, no entanto, quero deixar uma pequena homenagem ao cotidiano de Paris. Pareceu-me, depois que ficou pronto, um vídeo do sistema de transporte parisiense; mas não é. Foi uma tentativa de registrar a vida cotidiana daqui...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Francesinha

Foi com muita tristeza que hoje me despedi de Elisabeth, a francesa mais brasileira que eu já conheci. Ela foi comigo e com Rosangela na exposição do Prévert e, depois, andamos um pouco pelo centro da cidade. Foram muitas as vezes em que nos encontramos, saímos, festejamos coisas diversas e jantamos (ela foi a herança mais valiosa deixada pela baianinha Cris). Sei que voltarei a encontrá-la - seja aqui mesmo em Paris, seja no Brasil, seja virtualmente. Mas esse processo de separação, principalmente daquilo que a gente não tem a certeza do reencontro, é muito difícil.

Jacques Prévert

Eu conhecia Jacques Prévert pelo filme Les enfants du Paradis. Mas sabia pouco, muito pouco sobre o roteirista, poeta, ator e artista. Hoje fui ver a exposição Jacques Prévert, Paris la Belle, que está no Hôtel de Ville (gratuita). Ele viveu grande parte de sua vida em Paris, praticamente dedicou à cidade sua arte e teve estreitos laços com os vanguardistas do Surrealismo. Tendo assinado roteiro de muitos filmes a partir da década de 30, o da animação abaixo chamou minha atenção, pois não sabia que ele também dedicou parte de sua arte aos pequenos (ele escreveu livros infantis, inclusive poesia para crianças). Segue Le Petit Soldat (O soldadinho), filme de Paul Grimault com roteiro de Prévert:

Despedida profissional

Ontem o profissionalismo entrou na cozinha do 5º andar: Higor e Gysa foram os crepeiros para o jantar de minha despedida e do Campos. Foram aproximadamente 86 crepes - entre salgados e doces - para 26 pessoas. Contando com muita agilidade, paciência e bom humor, os dois aguentaram o tranco de ficar com a barriga encostada no fogão por horas a fio. Afinal de contas, crepe precisa ser esquentado um a um. Depois, tive de chamar o Campos para um discurso de final de séjour (ele que sempre gostou de colocar todo mundo na enrascada) e, enquanto ele chorava de emoção (segundo o próprio Campos, ele chora até em reunião de condomínio), todo mundo gargalhava de tanto rir. Há algumas fotos do jantar no álbum. Todas elas foram batidas pela Cristina.
Crédito da foto: Cristina Marins.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Vidas, vindas e idas



Sim, esta é a minha última semana em Paris. Sem conseguir me concentrar no trabalho de forma adequada e contínua, levo meus pensamentos às lembranças diversas, da vida vivida aqui e daquela no Brasil. Não dá para comparar, definitivamente, uma vez que são momentos e fases distintos. Mas pensando no que vou sentir falta da França, posso ser bastante franca: dos vinhos, dos queijos, dos pães, das bibliotecas, dos teatros, dos museus, do Montsouris, das viagens, do sistema de transporte coletivo eficiente (embora nada cheiroso) e das amizades feitas aqui. E o contrário? O que no Brasil me faz tanta falta? Quando chegar quero devorar uma melancia inteira! Quero também: feijão preto com carne seca, sol para meu corpo produzir vitamina D, pizza de pesto e de alcachofra do Santa Fé, chopp gelado, meu cachorro. Quero voltar a fazer caminhada no final de tarde pelas ruas de Barão Geraldo, poder reunir os amigos para um café da tarde, um jantar ou uma pizzada, andar na praia e sentir o calor tropical. São duas vidas muito diferentes: a daqui, intensa; a de lá, cotidiana e sem pressa. Saudade eu sinto das duas, já, nessa fase de transição. De travessia.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Sentimental

Estou muito sentimental por esses dias, com uma beiradinha na pieguice. Pois é, e foi ouvindo uma música cantada por Mônica Salmaso (Na volta que o mundo dá) que eu pensei nisso tudo. Já começo a me despedir de alguns amigos; da cidade, então, nem se fala. E foi com toda essa carga melodramática - e querendo pôr a música neste blog - que eu fiz o vídeo abaixo. Uma reunião de vários momentos vividos por aqui.