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sexta-feira, 13 de maio de 2011

A despeito do terremoto

Villa Borghese - Roma

Ir a Roma na primavera é realmente uma experiência fantástica. Eu a conhecia no verão e no outono. Em todas elas fui à Villa Borghese, mas foi nessa primavera que o parque se mostrou lindo como realmente é. Nunca vi um brilho do sol como aquele, que resplandecia toda a beleza daquelas árvores de Roma. As pessoas, a despeito da previsão do terremoto, estavam andando pelo parque. Havia vida lá. E para me mostrar que a cidade sempre tem uma supresa a mais, na vila me deparei com dois jardins que não conhecia (porque estavam fechados das outras vezes): Pincio e o jardim do lago (foto acima).

Uma previsão para Roma

Cartaz colado na porta de uma loja em Roma

A região da estação Termini não é a melhor de Roma. É, no entanto, a mais prática. Dali saem praticamente todos os trens, o ônibus para o aeroporto, é onde as linhas A e B do metrô se cruzam e várias linhas de ônibus passam por lá. Por isso, já optei por ficar hospedada ali por duas vezes, das três em que estive em Roma. Nessa região estão instaladas várias lojas de chineses; é, aliás, uma região tomada pelos orientais.

Um dia antes de virmos embora, notamos que várias dessas lojas estavam fechadas e com cartazes explicativos. Ou estavam fechadas por motivos pessoais, como essa da foto acima, ou estavam fechadas por férias. Começamos a estranhar essa repetição e começamos a elaborar hipóteses. Foram muitas: uma máfia comandava a região e estava ameaçando-os; as lojas eram divididas em duas facções, uma delas ameaçou a outra; souberam de antemão que haveria batida policial e resolveram fechar as portas por um tempo para despistar... enfim, as ideias mais mirabolantes passaram por nossas cabeças.

No dia 11, andando pelas redondezas, cedinho, uma senhorinha parou, leu um dos cartazes, riu e comentou rapidamente com a gente: "Eles estão com medo do terremoto!"... e saiu rindo. Somente então, já no hotel, eu li a notícia de que havia uma previsão de um terremoto em Roma no dia 11/05, que destruiria o Coliseu e a Basílica de São Pedro, largamente divulgada dias antes pela imprensa nacional. Com essa previsão, parte dos chineses fechou suas portas e foi para longe da capital.

Enfim, o terremoto não aconteceu (curiosamente -- e infelizmente -- aconteceu na Espanha) em Roma. Andamos pela cidade ainda durante grande parte do dia, antes de embarcarmos de volta para o Brasil. No aeroporto, pegamos um jornal italiano. Nele, então, notamos que havia várias notícias sobre a previsão, as crenças populares nessas informações, a opinião dos especialistas etc. Foi, realmente, um fato notável para os romanos.  

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Oliveiras e azeitonas

Aos 4 anos de idade, conta minha mãe, quase surtei por conta de azeitonas. Conto melhor: minha mãe havia comprado no mercado por minha insistência e, como demoraram para entregar as compras em casa, fui ficando cada vez mais nervosa com o desejo de morder aquela delícia conservada que não estava às minhas mãos. Isso aos 4 anos, reforço. Passados os anos, continuo impossivelmente fascinada por azeitonas. No Brasil, no entanto, não há uma produção significativa delas. E eis que em Roma, entre o Palatino e o Fórum Romano, ei-las: as oliveiras repletas de azeitonas. Dá pra imaginar minha emoção?

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Dança no céu de Roma

Provavelmente muita gente já viu ao vivo, mas nós só tínhamos visto antes pela TV: uma dança dos pássaros (talvez de acasalamento). Parece que isso é tão comum na Itália que há até uma propaganda de carro simulando o ato nos céus. São milhares de pássaros juntos que voam para todos os cantos, que ora se juntam ora se separam, formando imagens e coreografias belíssimas. No primeiro dia de passeios, saindo da Piazza Navona, nos deparamos com o espetáculo a céu aberto. Abaixo, no vídeo, uma demonstração da surpresa que Roma nos preparou:

Roteiro de viagem

A viagem à Itália, apesar de parecer ser muito (7 dias), foi rápida: isso porque, para Roma disponibilizamos 3 dias, Florença foi vista em 2 e Veneza em apenas 1 dia e meio! Pouco, muito pouco para apreciar a beleza de tais cidades. Como diz o Guia Routard: somente no terceiro dia em Roma notamos que o melhor seriam quatro. É verdade: no terceiro dia de Roma queríamos um a mais para poder visitar os lugares que estavam na lista. Não deu, infelizmente. Fica para a próxima. E olha que em Roma não foi pouca coisa que vimos: centro histórico, Galeria de arte antiga (Palácio Barberini), Galleria Borghese e a Villa Borghese, Coliseu, Forum Romano e Palatino etc. Quase tudo, na verdade, eu já tinha visto da outra vez; mas não impede que a admiração continue, sempre e sempre. Em Florença optamos por visitar apenas um museu (Galleria degli Uffizi, segundo indicação de um amigo, com um acervo de "tirar lágrimas dos olhos") e andar pela cidade. Creio que foi uma ótima opção: a cidade é linda! Mas é preciso sempre andar olhando pra cima, pois nos prédios antigos é que está a maior beleza da cidade. Em Veneza, então, passamos correndo por lá. E dela posso dizer apenas que passei, mas não a conheço como gostaria. A seguir, alguns comentários da viagem e as fotos já estão no álbum.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

O rapto de Prosérpina

Não sei por que hoje me lembrei desta escultura, de Bernini. O rapto de Prosérpina está exposto na Galleria Borghese, em Roma, e impressiona pelos muitos detalhes: na foto ao lado direito, por exemplo, é possível perceber as mãos do deus Plutão cravadas na coxa e na cintura de Prosérpina. Mas outros detalhes também são evidentes, como a lágrima que sai dos olhos da jovem no momento em que é raptada; o desespero com que tenta fungir, desvincular-se do deus com as mãos; a força que Plutão faz para carregá-la; os cabelos esvoaçantes de Prosérpina.
Apenas impressões de uma viagem que já passou, mas deixou saudades e vontade de voltar.



quinta-feira, 19 de junho de 2008

Gentileza romana

Não sei se é verdade que os italianos são tutti buona gente, mas em vários momentos é possível perceber a gentileza dos romanos. Como a cidade não possui a enorme sinalização que marca a racionalidade parisiense, é preciso o tempo todo pedir informações, que não são negadas; ao contrário, são fornecidas com boa vontade e, às vezes, até com muita graça. Foram, em cinco dias, pelo menos duas as situações agradáveis pelas quais passei ao pedir informações.

A primeira foi exatamente no primeiro dia. À procura de um posto de informações para turistas, sem qualquer indicação em placas ou nos mapas que portava, dirigi-me a um policial que estava parado à porta de um estabelecimento qualquer. Ele não estava sozinho. Um outro homem, de seus quarenta anos, começa a falar daquele jeito característico dos italianos, gesticulando muito e em voz alta, apontando para uma placa na parede que indicava o estabelecimento público: "Nós somos este daqui; eles (e apontava para a parte de dentro do prédio) são este aqui." Em meio a risadas, só pude pedir que me indicasse um posto de informação para comprar o Roma Pass. Ele virou o policial de costas e falava: "Ele é a informação! Veja o que está escrito aqui!". Eu não podia parar de rir mediante situação tão engraçada e inusitada. Mas aos poucos ele se acalmou e me explicou direitinho onde deveria ir.

Outro momento foi no dia seguinte. Queria ir à Villa Borghese e à Galleria Borghese. Tinham-me dito para pegar o Tramway (trens elétricos) na praça. Fui e pedi informações ao condutor do tram.
- Onde você quer ir?
- Na Galleria Borghese.
- Sente perto da minha cabine que, quando chegar a parada, eu chamo vocês.
Sentei-me e fiquei ali esperando. Quando estava chegando perto do ponto de parada, ele abriu a porta da cabine, me chamou, parou o tram (não era ainda o ponto) e me explicou:
- Você segue por esta rua e no segundo semáforo vire à direita. No final da rua está a Galleria Borghese.
Em seguida, ele pôs o tramway para andar novamente até a parada.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Quem tem boca vai a Roma

Apesar da presença do Vaticano, Roma incita vários pecados capitais em quem a visita. A gula é o principal deles. Come-se muito bem por lá, em qualquer canto da cidade, e não é muito caro.

Vejamos os cardápios: pela manhã, um caffè macchiato e um pão recheado de chocolate; ou então, o caffè latte com um outro doce qualquer maravilhosamente recheado. Almoço: ou uma das várias massas ou uma deliciosa pizza italiana e individual. Depois, um espresso bem à italiana: curtinho, cremoso e forte. De janta, pode-se optar por pizza a taglio ou um calzoni. Tudo isso acompanhado de vinho italiano rosso ou bianco. Mas se der fome no meio da tarde, vá a alguma das milhares de sorveterias e peça um gelato. Difícil manter a forma por lá, não?! Nada que uma boa caminhada ao longo do Tibre não ajude a resolver.

Próximo ao Vaticano experimentamos dois restaurantes interessantes e com um bom preço: Ristorante Il Papalino e Ristochicco Restaurant, ambos na Borgo Piu, ruazinha cheia de restaurantes. O primeiro ainda oferecia um garçom siciliano bem divertido e que se despediu de nós com um ciao bella. Lá, é possível sentir o sabor da massa caseira. No segundo, apesar da comida realmente muito saborosa, era um tanto pesada: bastante azeite e bacon.

Não recomendo: nas redondezas do Coliseu, um restaurante chamado Angelino ai Fiori. Não pela comida, que era muito boa, mas pelo atendimento ruim: o garçom, mal terminamos de pagar a conta, disse para nos retirarmos. Este foi, aliás, dica do Routard.

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Por falar em Routard: inúmeras informações equivocadas no guia. Restaurante que já não existe mais, itinerário de ônibus errado, preço de museus desatualizado.

Passeios inevitáveis

Há alguns lugares dos quais não é possível fugir em Roma. Sim, todos os caminhos levam ao Coliseu, ao Forum Romano, à Basília de São Pedro, aos museus do Vaticano. E são lugares que vale a pena conhecer, ler um pouco sobre cada um deles, apreciar o que emana de cada um. Da representatividade histórica dos sítios arqueológicos até a força religiosa do Vaticano. Mas há um lugar que descobri pelos guias e que chama a atenção: a terma de Caracalla.

A terma foi construída pelo imperador Caracalla no ano 212. Um imenso lugar para o descanso do corpo e da mente dos romanos: lá havia banhos quentes (a água chegava a 55º C), banhos frios e banhos de vapor. Além dos banhos públicos, havia também lugares para passear e biblioteca para leituras. Mente sã, corpo são. Essa terma (ela não é a única de Roma) podia acolher, de uma única vez, mil e seiscentas pessoas e, por dia, mais de seis mil. Daí pode-se calcular mais ou menos a grandiosidade do lugar. Apenas o caldarium, uma sala circular onde eram tomados os banhos quentes, media 34 metros de diâmetro.

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É também possível desfrutar a capital italiana de forma gratuita: as igrejas e as praças. Em quase todas pode-se defrontar com esculturas e quadros de muito bom gosto e de valor artístico reconhecido. Na Igreja São Luís dos Franceses, que encontramos por acaso, há três quadros de Caravaggio. Na própria Basílica de São Pedro a decoração foi toda elaborada pelos artistas renascentistas: Canova e Barnini. Além, claro, de Pietà, de Michelangelo, lá exposta.

Primeiros comentários

Roma impressiona em vários aspectos. Assim, os comentários e narrativas da viagem não podem ser feitos de uma única vez. Vou fazer isso aos poucos, em meio à organização de meu retorno a Paris.

Os romanos da antigüidade eram megalomaníacos e construíram um império glorioso e grandioso. Hoje restam apenas ruínas desse tempo e Roma ainda vive à sombra do que foi outrora. Mas em todos os lugares em que se passeia na cidade é possível ver o tamanho da força deles: tudo é gigantesco, desde o conhecidíssimo Coliseu até as pouco conhecidas (e não menos grandiosas) termas de Caracalla, com direito a passagem pela maior basílica do mundo: a de San Pietro.

Foram muitos os lugares visitados, muitas as histórias pra contar. Vou pingando-as aos poucos, para não exagerar na dose...

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A volta para Paris não foi simples: por conta de uma greve de controladores de vôo na França (sim, aqui também há), o avião atrasou uma hora. Resultado: chegamos aqui 23h30 e perdemos o último ônibus para vir para a Cité U. Tivemos de pegar um táxi e chegar em casa depois da meia-noite.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Outra vez, um sonho

Eu e meus sonhos. Bem, dessa vez sonhei com a viagem a Roma: chegando lá, sem mais nem menos estou na Fontana di Trevi (que está em reformas, aparecendo apenas metade da fonte, enquanto a outra está com aquelas madeiras típicas de construção). Como ainda é muito cedo, quase não há turistas em volta dela e resolvo aproveitar para bater uma foto. Subo em um ponto bem alto e, ao descer, um menino vem correndo atrás de mim dizendo coisas em italiano (no sonho eu o compreendia perfeitamente). Eu me viro e pergunto: "Perché?" Ele me responde e continua seu trajeto na corrida (não parece uma cena de filme de Fellini?). De repente, me dou conta de que estou longe do albergue e preciso encontrar uma estação de metrô para chegar até o alojamento. Nisso, viro para Priscila e falo: "Isso é um sonho" (no sentido literal, de quem está dormindo e sonhando). Priscila completava: "Sim, isso é um sonho".