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terça-feira, 29 de abril de 2008

Um grande sonho

Desde a infância tenho duas viagens em sonho: Itália e Grécia. Para a Itália vou já no mês de junho, apenas para Roma inicialmente. Depois que Alexandre chegar e os preços baixarem, volto para conhecer outras cidades.

Para a Grécia, depois de pesquisar alguns preços e sites, fiz a reserva hoje do vôo: para Atenas, em outubro, por 100 euros ida e volta - o que eu considero muito barato. De lá, claro, tentarei ir a alguma ilha. Como outubro é baixa temporada, os preços são bem camaradas: em um hotel, a estadia para casal sai por 40 euros. Muito mais barato, por exemplo, do que ir para a Itália, considerando-se o padrão do hotel. Enfim, as coisas aos poucos vão acontecendo. Mas não pensem que estou indo à Grécia à toa: pesquisa de campo, claro, pois estudo tragédias.

domingo, 27 de abril de 2008

Encontros e despedidas

Ao longo de um ano morando em um lugar, especialmente quando se trata de um conjunto de apartamentos que mais parece uma grande república, é normal surgirem laços fortes de amizade. Há conflitos, claro, mas em relação a esses a gente abstrai e fica com o que é bom. Nashira, residente do 5º. andar, vai embora na madrugada de quarta-feira, depois de 13 meses morando aqui na Maison; ontem foi sua festa de despedida. Ela provavelmente sente muito o retorno, especialmente pelas relações que ela construiu em todo esse tempo. Na foto, da esquerda para a direita: Nashira, Letícia, eu e Cristiane.

*****

Hoje finalmente fui conhecer o Sacré-Coeur. Lugar muito agradável e especial de Paris, com uma imensidão de turistas. O dia estava muito agradável: sol, 23 graus. Consegui andar de blusa de manga curta pela primeira vez desde que cheguei. Fotos aqui, no álbum.

sábado, 26 de abril de 2008

Camille Claudel

A exposição que está no Museu Rodin, de Camille Claudel, é pequena. Tem aproximadamente 80 esculturas dela, mas as mais importantes são do próprio acervo do museu, de modo que as que vieram de coleções particulares ou de outros museus são as menores ou alguns bustos feitos em virtude de dificuldades financeiras.

Camille Claudel apresenta muita força e emoção em suas esculturas. Não cheguei a entrar no museu para ver as obras de Rodin (este é um dos museus que oferecem entrada gratuita no primeiro domingo do mês), mas a obra de Claudel emana uma melancolia e sentimento muito fortes, mais do que as do próprio mestre e amante (pelo que pude ver no jardim). Embora as faces das criaturas esculpidas, em obras como Sakountala ou L'âge Mûr, não sejam muito definidas, o conjunto (corpo, movimento, posição do rosto) apresenta ora desolação, ora desespero, ora paixão. É impressionante.

Em qualquer exposição temporária nos museus de Paris, a fotografia é proibida. Nos acervos permanentes, é possível fotografar sem flash. Mas eis um fato muito curioso e divertido: um dos guardinhas da exposição "autorizava" um senhor, pareceu-me fotógrafo, a clicar algumas peças. Pelo que pude acompanhar, na verdade, ele fotografou quase todas. Os dois conversavam em torno de uma obra, o guardinha ficava olhando para ver se ninguém vinha e autorizava. Perante qualquer perigo de serem pegos, ele dava um sinal e o senhor guardava a máquina fotográfica. Eu mesma, vendo tais peripécias, aproximei-me dele e pedi para bater uma foto. Mesma estratégia: escolhi uma e cliquei, enquanto ele tomava conta da situação. Uma senhora, vendo que eu bati uma foto, foi atrás. Mas, coitada, um outro guardinha veio chamando-lhe a atenção: "Senhora, sem fotos!"

O jardim do museu é uma coisa à parte: lindo, lindo. Ao longo dele é possível encontrar várias esculturas de Rodin em bronze, algumas famosas, como Les bourgeois de Calais, La porte de l'Enfer e Le Penseur. Quem viu Camille Claudel, filme com Isabelle Adjani e Gérard Depardieu, relembra a história das principais peças. Algumas fotos no álbum.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Penúltimo capítulo

No capítulo anterior da novela, houve um rápido bate-boca entre mim e a atendente da Prefeitura de Polícia em relação a divergências nos critérios de seleção para a carte de séjour. A atendente queria, a todo custo, que eu tivesse uma inscrição universitária na França, mas eu sabia que tal inscrição não é necessária.

No capítulo de hoje, eu estava na fila do térreo para passar pela primeira triagem: eis que eu vejo não a senhora de voz estridente que gosta de dispensar as pessoas, mas um rapaz sereno e que mandava todo mundo para o primeiro piso. Faltando duas pessoas para a minha vez, ela surge imponente escada abaixo: a senhora gordinha da voz de taquara-rachada. Primeira taquicardia. Mas dali eu sabia que saía rapidinho. Ela imprimiu minha senha - mas antes dispensou uma menina - e eu subi.

No andar de cima vi a mocinha que protagonizou o bate-boca e me mandou para casa aos prantos. Felizmente, fui atendida por outra pessoa. A funcionária de hoje era calma, gentil, diria até que graciosa. Ela viu minha documentação, soltou um "très bien" e pediu-me que esperasse (detalhe importante: em nenhum momento ela falou em inscrição formal na universidade). Segunda taquicardia. Dali a instantes ela me chamou novamente, entregou-me toda a documentação original, imprimiu meu título de séjour temporário e me encaminhou para marcar o exame médico. Très bien, pas de problème! Por que estresse?

Curiosidade: no andar térreo, na primeira triagem, a gente encontra os funcionários mais enérgicos. Lá é o verdadeiro furdunço da Prefeitura de Polícia; é onde estão inúmeros estrangeiros, muitos com informações desencontradas e sem saber exatamente como proceder. No primeiro andar, com suas cabines e atendentes, o humor varia. Hoje, por exemplo, todos estavam calmos, pois havia pouca demanda. Alguns até bocejavam, outros lanchavam. Há um número bem menor de estrangeiros solicitando o séjour por ali. Segundo andar: não é mais triagem, já é a reta final. Quem está ali, passou pelo crivo de todos os outros olhos e avaliações. Quantas pessoas estavam lá? Somente eu. Quantas pessoas já haviam passado por lá? Segundo as anotações do rapaz que me atendeu, não mais que oito pessoas. Para onde vão todos aqueles que formam uma imensa fila à porta da Prefeitura de Polícia logo cedo?

Também é interessante observar o quanto temos de nos apresentar na Polícia, mesmo no tempo curto que aqui permanecemos. O visto que é pego no consulado vale por 3 meses. Aqui, precisamos pegar o séjour, que vale por 1 ano, mas antes há um recibo que vale por 3 meses também. Caso não façamos o exame médico, não conseguimos a carte. 3 meses antes de vencer o prazo do visto de residente temporário, é preciso retornar à polícia para renovar o titre. Enfim, nessa brincadeira toda, a cada 3 meses temos de nos apresentar à polícia e dizer: "Olha, eu ainda estou aqui, legalmente, mas vou embora logo!"

Dia 20 de maio será o dia do exame médico e quando pego a carte de séjour definitiva, válida por 1 ano.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Dia das reservas

Hoje fiz algumas reservas: A dama das Camélias, balé da Opéra National de Paris, para dia 11 de julho, contando já com a presença de Alexandre em terras francesas. Aliás, as reservas para os espetáculos do próximo ano, 2008-2009, inicam-se a partir de junho. Para pegar os lugares mais em conta é preciso ficar atento. Óperas, balés e concertos. No próximo dia 3, aliás, vou ver A casa de Bernarda, balé baseado na peça de Garcia Lorca.

A outra reserva foi do albergue em Roma: Ottaviano Hostel ou Pensione Ottaviano. O mesmo em que Pablo e Lívia ficaram; aliás, escolhi por indicação, pois fica a dois passos do Vaticano. E como não conheço Roma, achei prudente partir de uma informação concreta.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Causos de biblioteca

Um dia, talvez, eu escreva uma série de crônicas narrando todas as histórias de biblioteca pelas quais já passei. A de hoje foi mais ou menos assim:

Cheguei pontualmente no horário reservado, às 13h. Dois imprevistos: o primeiro, um dos livros reservados havia sumido e a funcionária ficou de procurá-lo (rapidamente encontrado, sem problemas); o segundo, o meu lugar previamente reservado estava ocupado, não por alguém, mas por alguns livros dispostos sobre a mesa. Fui falar com a funcionária para ver o que eu deveria fazer, pois o dono dos livros não estava ali e não tinha como simplesmente retirá-los do lugar. Ela sugeriu que eu sentasse em um lugar perto e, quando a pessoa chegasse, que falasse com ela, solicitando o meu lugar.

Armei o meu acampamento (significa: ligar computador, pegar os livros e cadernos de anotações). Devo ter ficado ali estudando pelo menos uma hora, quando chega um senhor e pára ao meu lado. Eu, percebendo que o dono do lugar havia chegado, levantei-me e comecei a arrumar as coisas, pedindo desculpas, evidentemente. Em segundos, ocorre o seguinte diálogo:

Eu - Desculpe. Espere só um momento que o meu lugar está ocupado.
Monsieur - Vá lá e fale com a pessoa para ela sair.
Eu - Mas ela não está lá, há apenas livros.
Monsieur, com ar blasé, resmungou alguma coisa do tipo: "não tenho nada com isso" e ficou me olhando com um sorrisinho irônico nos lábios. Retirei minhas tralhas e ainda deu tempo de ouvir um cínico "merci".

terça-feira, 22 de abril de 2008

Île de Saint-Louis

Hoje tentei ir à exposição de Camille Claudel, que está no Museu Rodin. Como havia marcado com uma amiga para às 3 da tarde, foi uma tentativa frustrada: logo que entramos na fila, uma funcionária veio e avisou que a venda de ingressos estava esgotada para o dia (o museu fecha às 17h45). Saímos e lá e fomos, então, andar por Paris.

Com uma agradável temperatura e um sol gostoso, atravessamos boa parte do 6o. arrondissement, depois de ter parado para um café, atravessamos o Jardin de Luxembourg (que está lindo, florido e com muitas pessoas passeando), descemos pelo Boulevard Saint-Michel; atravessamos a Île de la cité, fomos até a Île Saint-Louis para tomar o sorvete mais tradicional da cidade. Em seguida, fomos em direção ao Marais, mas acabamos indo até a Bastille! Voltamos, já bastante cansadas, para pegar o metrô.

Na Île de Saint-Louis, uma ilhazinha bem no meio do Sena, com construções muito antigas, é possível ver uma Paris muito charmosa: ruazinhas estreitas, um comércio para turista nenhum botar defeito, prédios com a fachada torta (não conseguimos descobrir o porquê). Dizem as más línguas (e boas também) que Chico Buarque tem um apartamento por ali. Tudo bem, ele pode.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Ainda sobre comida

Aos poucos descobre-se a vida da mulher moderna em Paris. Ou do homem moderno, vai saber. O Lara, por exemplo, iria adorar a descoberta de hoje: Picard, comidas congeladas. É claro que ele não iria comprar as comidas de lá, porque ele mesmo faz seus congelados, mas iria se inspirar em alguns pratos.

Pablo já tinha me indicado a franquia, mas somente hoje entrei numa loja e comprei algo por lá. Vindo da BNF, com bastante fome, já eram quase 8 horas da noite (mas que ainda é dia, por conta do horário de verão), eu e Cristiane entramos e descobrimos ali uma imensidade de coisas muito boas para levar para casa e não perder tempo no fogão. Tem de tudo: legumes congelados, pães pré-assados, quiches, tortas, pizzas etc. Sem preocupação com gorduras trans. A fome não nos deixou sair de lá sem nada nas mãos, mas conseguimos resistir aos doces. E o preço é bom: duas tortinhas por 2,20 euros.

sábado, 19 de abril de 2008

Esperamos que seja mulher


Speriamo che sia femmina é o título em italiano do filme de Mario Monicelli que fomos ver hoje, eu, Pablo e Lúcia, na cinemateca francesa. Filme italiano da década de 80, com Catherine Deneuve; divertido, leve, feminino (fazendo jus ao título). Só um pequeno problema: era falado em francês (eu esperava, sinceramente, que fosse em italiano e legendas em francês); fato que estranhamos, pois o título original é em italiano.

Em seguida, fomos jantar em um restaurante marroquinho: comida, vinho e ambiente marroquinhos. Mas eu, para experiência, resolvi comer paella ao invés de couscous. Talvez tivesse acertado mais se tivesse escolhido a comida típica deles; mas é um bom lugar para voltar mais tarde, porque ele é, de fato, bem barato para os padrões parisienses. O couscous parecia apetitoso.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Um dia de cão

Alguns terão a vontade de me dizer, a respeito do título da postagem de hoje, que estou reclamando de barriga cheia. Não me sinto inclinada a discordar, mas devo explicar meu pensamento: como os cães daqui são muito bem tratados, fico à vontade para continuar dizendo que meu dia foi um dia de cão.

Plano inicial: estudar o dia inteiro. Até às 14h na BNF e depois deste horário em casa. Mas as coisas não correram exatamente como eu planejava. Acordei atrasada, saí de casa correndo, cheguei com 45 minutos de atraso na biblioteca (a tolerância para não perder o lugar é de 1 hora). Na saída, às 14h, vou desmontar meu acampamento e - malditas tomadas francesas (foto acima, à esquerda) - o adaptador (mesma foto, à direita) do meu computador ficou emperrado na tomada da mesa. No início tentei ser discreta para tentar tirá-lo de lá, mas foi impossível. Tentei de todo jeito, mas o negócio começou a machucar minha mão. Uma moça que estava sentada próxima a mim se levantou e veio me ajudar: nós duas, juntas, cada uma de um lado forçando o tal do adaptador para ver se ele saída da tomada... (isso tudo dentro da biblioteca nacional da França!) Depois de alguns minutos, ufa, finalmente tiramos. Morrendo de vergonha, joguei tudo dentro da pasta correndo e saí de lá. No vestiário, para a troca de bolsas (não é possível entrar com bolsa pessoal nas salas de pesquisa), eis que eu esqueço o adaptador na pasta da BNF e só percebo ao chegar em casa.

Lá fui eu atrás de um outro adaptador para o computador. Andei por várias lojas e só encontrei um na FNAC: quase 10 euros. Me doeu, mas tive de pagar, senão ficaria sem computador. Para tentar relaxar, resolvi passar numa loja barata e comprar uma blusinha: prova daqui, prova dali, escolhi uma. Mas nesse prova-prova, o meu brinco caiu em algum momento e não percebi; aliás, só percebi quando cheguei em casa e me vi com um único brinco.

Queria ter um dia tranqüilo amanhã.