Páginas

sábado, 31 de maio de 2008

Mangia che ti fà bene...

Hoje Chiara e Davide, dois italianos que trabalham com Letícia, vieram aqui para fazer uma vera pasta italiana: farfalle à carbonnara. Na carbonnara italiana vai apenas bacon frito e ovo. Simples assim.

Mas a sessão massa continua: na sexta retrasada, fiz uma massa para a francesa Florence e mais alguns amigos daqui. Capellini com frutos do mar, uma receita que peguei de um livro francês, que vai no molho o crème fraîche. Vraiment delicioso. Este creme, diferente de qualquer coisa que temos no Brasil, será uma grande falta que vou sentir quando voltar. Faço, aliás, um penne com brócolis e crème fraîche que fica uma delícia!

Meu reino por um cavalo!

Ontem demos o presente de aniversário de Letícia: uma noite por Paris. Fomos ao teatro de Bouffes du Nord (foto acima) e, em seguida, jantamos em um restaurante indiano próximo ao teatro. A peça que vimos foi Ricardo III, de Shakespeare, com uma peculiaridade interessante: adaptada para o mundo árabe contemporâneo e falada em árabe! Com legendas em francês.

Infelizmente, não me lembro de ter lido alguma das peças históricas de Shakespeare. Apenas sei o lugar-comum, a frase dita pelo rei na penúltima cena: "Um cavalo, um cavalo! Meu reino por um cavalo!" Interessante pensar nesse tipo de adaptação, com a referência direta do mundo islâmico naquilo que se pretenderia uma tragédia. Ainda ontem lia alguma coisa a respeito disso, um autor dizendo que as tragédias não se desenvolveram no mundo islâmico porque este é, por excelência, o único monoteísta (e as tragédias pressupõem uma crença politeísta). Mas a adaptação se sustenta, com algumas liberdades próprias da cena moderna. O que ajuda, claro, são as referências de guerras atuais no oriente médio, o que justifica e evoca o sentido trágico moderno do qual a peça lança mão. Ou, como escreve o diretor da peça no programa: "Como nas tragédias de Shakespeare, o Oriente Médio moderno oferece uma variedade de exemplos de 'como não governar'. Imperialismo moderno, tirania, barbárie, opressão, complôs, assassinatos e guerras civis se tornaram tristemente mais regra do que exceção no Golfo."

Mas não apenas essa transferência de referências torna a peça interessante, mas a mise-en-scène num todo: um jogo de teatro, TV e música árabe. Além disso, projeções em uma parede de vidro, que vinham tanto da parte de trás do palco quanto da frente, davam uma dinâmica à peça. A projeção que vinha da parte de trás ora evocava um coro, ora mostrava "os bastidores" da trama, que tinham necessariamente de ser suprimidos da cena principal. Por outro lado, ver e ler ao mesmo tempo cansa, especialmente quando não se reconhece uma única palavra do que está sendo dito no palco. O tempo todo tínhamos de ficar preocupados em acompanhar os passos das personagens com a legenda. Sem falar que algumas vezes eu me sentia em Lost in translation: uma enorme frase dita pelo ator e uma frasezinha bem pequenininha traduzida... Outra dificuldade foi o próprio vocabulário, com muitas palavras de que eu nunca tinha ouvido falar.

Observação importante: Bouffes du Nord é um teatro atualmente dirigido por Micheline Rozan e, nada mais nada menos, Peter Brook. Este é o diretor mais conhecido atualmente. Até abril estava em cartaz uma peça dirigida por ele, Fragments, mas sequer fiquei sabendo disso. No início, até descobrirmos os lugares, é isso mesmo.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Comédia Francesa

Eu tinha comprado já há tempos ingresso para o espetáculo Penthésilée, de Heinrich von Kleist, em cartaz até dia 1º na Comédie Française. E, no entanto, há uns dias tinha visto no site que a apresentação do dia de hoje tinha sido cancelada e substituída por Juste la fin du monde. Apesar do aviso de cancelamento, nada dizia sobre o que devia ser feito com o ingresso comprado. Bem, pensei comigo que os lugares seriam automaticamente transferidos.

Hoje fui lá esperando qualquer coisa. Pensei que iria assistir ao outro espetáculo, pensei que poderia trocar por outro dia de apresentação. Enfim, cheguei e o lugar já estava ocupado. Fui até a bilheteria e a senhora do guichê, nada paciente, perguntou-me se morava em Paris e se havia conta bancária aqui. Respondi que sim. Ela, então, disse-me que enviaria um cheque para o meu endereço com o valor do reembolso. Em nenhum momento ela perguntou se eu queria assistir à outra peça ou se queria ingresso para outro dia.

Evolução

Hoje fui pegar a minha carte de séjour, no mesmo lugar onde fiz o exame médico. Inevitavelmente, para chegar até a Bastille, preciso passar pela Châtelet. Eis que andando lá pelo labirinto, uma senhora me pára e pede informação de como chegar em tal lugar. Nem titubeei: falei qual trem ela deveria pegar e a direção correta. Evoluí, não?!

*****

Comprei as passagens para o sul da França. Em agosto, quando completo anos, faremos, eu e Alexandre, uma viagem por Marseille, Cassis, Avignon, Aix-en-Provence, Toulouse e Carcassone. Consegui umas promoções no site da SNCF, de modo que saiu bem barato ida e volta. De 20 a 28 de agosto.

domingo, 25 de maio de 2008

Festa na Cité Universitaire

Desde sexta-feira acontece, aqui na Cité Universitaire, uma grande festa. Cada casa prepara uma apresentação especial e oferece aos visitantes o que pode oferecer de sua cultura. O dia de participação da Maison du Brésil foi hoje.

Muito trabalho, muita dedicação, mas o resultado foi ótimo: para vender teve feijoada, escondidinho de carne seca, pão de queijo, bolo de queijo, bolo de cenoura, bolo de chocolate, brigadeiro, beijinho, casadinho, guaraná, Skol e Brahma Chopp, além da tradicional caipirinha, claro. Tudo embalado por samba e muita gente dançando ao ar livre.

Ontem houve uma festa mais geral: no grande gramado, atrás da Maison International, música eletrônica da meia-noite até às 5h da manhã (era o previsto). Muita gente numa festa a céu aberto.

No vídeo, Cris e Thiago num show à parte de samba de gafieira.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Paralisação

Hoje é dia de paralisação nacional. A Comédie Française cancelou a apresentação do espetáculo de hoje; há aviso nas estações de metrô que o tráfego não será normal e haverá suspensão de algumas linhas. Com tudo isso, desmarquei e depois remarquei meu lugar na BNF. O máximo que pode acontecer é eu não conseguir chegar lá. Aliás, ontem não havia nenhum aviso na biblioteca se ela funcionaria ou não hoje.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Fim da novela

Hoje foi o último capítulo da novela Carte de Séjour. Fui fazer a consulta médica obrigatória para imigrantes. Tudo foi muito tranqüilo: na primeira parte, verifica-se peso, altura e visão; em seguida, eles fazem um raio-x do pulmão. Por fim, a consulta médica propriamente dita, em que o médico vê a pressão arterial, vê o raio-x e faz uma série de perguntas. A médica que me atendeu, extremamente simpática, falava português! Conhece o Brasil, adora o Brasil e vai para a Amazônia em setembro, ver os botos. Conversamos em um misto de francês e português.

Na sala de espera, uma chinesa puxou conversa comigo. Perguntou-me se eu estava aqui há muito tempo, de onde era, onde morava, o que fazia. Em seguida, perguntou-me se eu tinha muitos amigos e me convidou para um café no sábado! Falei que tinha um compromisso com o grupo de pesquisa do qual faço parte (é verdade) e, por outro lado, convidei-a para vir à Cité U este final de semana, pois haverá a festa da Cité, com as portas das maisons abertas para receber visitantes e divulgar as culturas. Ela me disse que quase não tem amigos aqui em Paris e quer fazer amizade... Entendendo bem o que se passava com ela, passei o meu e-mail para ela entrar em contato comigo.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Agora, da viagem


Vamos lá, agora, falar da viagem do final de semana. Dos dois dias, o segundo foi o mais interessante, que pôde-se aproveitar mais. O motivo é simples: os destinos são bem melhores.


No sábado fomos direto para o castelo de Cheverny, que é uma propriedade particular; um tipo de propriedade que ainda ostenta uma grandeza e luxo de uma época que já vai longe. O castelo em si não é muita coisa (até porque está mais para uma grande propriedade), mas os jardins são belíssimos. Saindo de lá, fomos a Blois, cidadezinha já comentada aqui abaixo. O castelo de lá também não apresenta muita coisa, a não ser pelo fato de ter sido contruído em três épocas diferentes. Mas o pior desse tipo de viagem são as visitas guiadas: perde-se tempo ouvindo as explicações e não é possível apreciar a visita em si.

No domingo, pela manhã fomos a Chenonceau, o castelo que realmente parece um castelo: com direito a torres, grandes salas e quartos de rainhas; ele foi construído sobre as águas de um rio e lembra muito os castelos das histórias infantis. Não foi à toa que pensei muito em Maria, minha afilhadinha. Depois do almoço fomos para Amboise, uma outra cidadezinha muito simpática. Lá, ao invés de irmos ao castelo (já estávamos cheias de castelos), fomos na casa de Leonardo Da Vinci, última casa onde ele morou e foi onde ele morreu. Da Vinci não era nada bobo, a considerar a casa onde morou.

Fotos aqui no álbum.

Reencontro inusitado (2)

Notícia quentíssima: chegou gente nova no quarto da Nashira hoje. Mas não é só isso...
Eu estava chegando da BNF e eis que vejo uma pessoa com um rosto conhecido para pegar o elevador. Então, ela também vem parao 5º andar. Fiquei pensando: "É ela ou não é?" Eis que Rhelen me informa que a menina é de Campinas. Não tive dúvidas! Fui ao quarto dela e perguntei: "Você é a Maíra?"
Resumo da ópera: ela estuda lingüística na Unicamp e fez um curso comigo há dois anos atrás. Agora, ei-la aqui no mesmo andar que eu, na Maison du Brésil, em Paris!

Reencontro inusitado


Fomos, neste final de semana, para quatro castelos do Vale do Loire: Cheverny, Blois, Chenonceau e Amboise. Blois (foto acima), cidadezinha simpática e agradável do vale, foi cenário de um reencontro mais do que imprevisível e inusitado: estávamos nós (eu, Letícia, Priscila e Chiara) descansando em um jardim quando vejo um rapaz... era nada mais nada menos do que Fernando, que fez o 1º semestre do curso de francês comigo na Aliança Francesa de Barão Geraldo: isso em 2006!


O que aconteceu: ele já está aqui na França há quase 2 anos, mas mora em Lille. Eu cheguei perto dele e perguntei: "Você não lembra de mim?" - "Claro!" Mas o mais incompreensível disso tudo é que tenha sido em Blois! Se fosse em Paris ainda vá lá, pois a cidade não é tão grande e seria até compreensível, mas numa cidadezinha lá no meio de vale, foi realmente interessante.

Daqui a 15 dias ele virá morar em Paris. Poderemos fazer um super-reencontro: eu, ele e Daniel, que também estudou conosco naquela época e mora aqui em Paris. Malu, você não quer vir?